The point of no return, no going back now...

2019 estava indo tão bem que eu estava até estranhando. Eu estava tão em paz. Tão calma. Tão feliz. Não sei muito bem para onde foi tudo isso, pois nesses dois últimos dias eu estou um pouco cansada. Introspectiva. Brava. Chateada. Cansada de decepções. Cansada para argumentar. Só tenho escutado e fingido demência para as coisas que eu não posso mudar...

Confesso que estou um pouco melancólica e nostálgica. Hoje, me peguei perdida em pensamentos ao olhar uma pequena margarida. Não sei o motivo pelo qual ela me deixou tão desestabilizada, mas me deu uma saudade tão grande de algumas coisas. Fiquei triste também. Lembrei daquela margarida branca. Lembro da minha felicidade quando eu a recebi. Minha alma estava em paz. E hoje, nada. Sem margaridas. Sem conversas. Apenas silêncio. Apenas ausência. Apenas raiva contida. Apenas tristeza e choro as vezes (ainda bem que as vezes reduziram muito). 

A terapia tem me feito muito bem. Tenho me sentido muito mais leve. É bom ter alguém pra dividir e contar um pouco do que acontece durante a vida. É legal ter alguém que investigue tudo aquilo com você. Que tenta te entender e que realmente se importa com o que você está sentindo. É tão raro achar isso hoje em dia... Alguém que te entenda com uma conexão grande; alguém que se preocupe com você, e eu digo se preocupe no sentido real da palavra, não só pelo interesse do que você pode fazer por ela. Isso é o que me deixa mais em choque quando eu penso em que eu não tenho ninguém...

É bom ser sozinha, mas as vezes é muito complicado. Querendo ou não, sempre tem aquele buraquinho faltando. Sempre tem aquela peça que falta, e as vezes dá uma vontade doida de ter alguém pra abraçar e ficar quietinha do lado, sem falar nada. Só sentir a presença da pessoa ali, ao seu lado. 

Por que é tão complicado encontrar alguém assim? Por que eu não posso simplesmente aceitar qualquer um e tentar ser feliz? Não. Eu não consigo me contentar com qualquer pessoa. Não tem ninguém que me faça sentir especial da forma que eu preciso sentir. Como pode? Logo eu, que sempre fiz e faço de tudo pra ser a pessoa mais agradável pra todo mundo ao redor. Não é possível que eu não encontre alguém legal também. Alguém sincero. Alguém interessado em construir uma relação sólida, baseada em confiança e amor. 

Eu não consigo, de forma alguma, entender como podem existir tantos casais juntos apenas pelo comodismo. Como? Como vocês se sujeitam a isso? Como vocês deixam o parceiro de vocês com essa migalha? Eu sei que não está (e realmente não está) fácil encontrar alguém que preste no mundo, mas eu não consigo viver essa mentira. Não me julguem se eu estiver aumentando o problema. Pra mim isso não deixa de ser uma mentira. A partir do momento em que você está em um relacionamento com alguém e tem vontade de ficar com uma pessoa totalmente aleatória, me desculpe, mas você está se permitindo viver uma mentira. E pra que? Pra ter certeza de que vocês não se amam? Pra depois terminar e voltar durante 10 anos? Pra aceitar ficar com uma pessoa só porque ela é boazinha? Pra não terminar porque ela sempre volta chorando pra você?

Eu respiro fundo e guardo todas essas informações no fundo da minha caixinha, trancada com várias chaves. Suspiro e finjo que não vejo. Não tem nada a ver comigo. Eu estou fora e não posso opinar, mas isso ainda me deixa extremamente triste e sem perspectiva de ver um futuro melhor com alguém. Parece que são todos iguais. Todos exatamente iguais. Por mais que eles digam que não. Por mais que mintam tão bem.

A verdade é que só somos importantes pros outros quando podemos oferecer alguma coisa. A partir do momento em que você não pode mais oferecer nada, você não é mais necessária. Simplesmente é descartada como se não houvesse nunca existido. Saudade? Isso não existe para esses tipos de pessoas. Só existe pra mim, que fico aqui me remoendo, as vezes, por tudo que poderia ter sido e não foi. Por tudo que poderia ter sido evitado e que mesmo assim aconteceu. E ainda fico chocada quando vejo o que acontece com quem está ao redor. Todos estão bem. Todos estão felizes. Todos acham que tudo está normal e que tudo está certo. Como? Não é possível que ninguém enxergue a verdade. Não é possível que as pessoas mintam tão bem. Será que ninguém percebe a realidade por trás de todas as máscaras? 

Preciso aprender a não deixar que as coisas me afetem tanto. Que as mentiras tenham um peso tão grande assim pra mim. Preciso aprender a jogar no mesmo time, apesar de ter nojo desse tipo de gente. É isso que me deixa tão estranha e cansada. Não consigo me relacionar com um tipo de pessoa que não é o que eu sou. Eu jamais seria capaz de fazer a maioria das coisas que essas pessoas fazem e que acham normal. Pra mim, é a maior bizarrice da vida inteira. Sinto orgulho por pelo menos não querer ser igual a essas pessoas.Já é um bom começo né?

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Estou aqui novamente. Novamente pra dizer que eu cansei. Novamente pra dizer que agora será um adeus. Cansei de ser feita de idiota mais uma vez. A partir de agora, estou fora. Apaguei as fotos, apaguei as mensagens, apaguei o telefone e bloqueei nas redes sociais. Não quero contato. Não quero um carro estacionado do lado do outro. Não quero cafés da manhã juntos. Não quero presente no natal. Não quero que me segure quando eu for tirar sangue. Não quero ler enquanto você vai pescar. Não quero que o Batista seja nosso padrinho. Quero mais é que você suma. Espero, do fundo do coração, que você não me mande mais mensagem, que você não me procure mais. Prometi pra mim mesma que não vou mais te responder. As coisas estão super super super claras pra mim. E tudo bem.

Eu juro que fiz de tudo pra tentar dar certo e não deu. Nem sei se isso é ruim ou bom, mas agora eu confesso que estou triste. Confesso que criei um milhão de expectativas. E que elas não deram certo. Obviamente. Mais uma vez. É extremamente insuportável você tentar alguma coisa e não conseguir. Mas que ódio que eu tenho de não saber lidar com isso. E olha que a gente nem teve nada demais. E olha o meu estado. Devastada, de novo. Juntando os caquinhos que foram entregues e quebrados no meio do caminho, de novo. Com preguiça de tentar com outro alguém, de novo. Cansada de tentar dar chances e só me lascar, de novo.

Eu acredito que ainda existirá uma conversa. A conversa. Que eu quis tanto ter e que nunca tive chance. Quero ter tudo na ponta da língua pra quando essa conversa chegar. Quero ser forte o suficiente pra falar que não quero mais, mesmo que meu coração, no final, só quisesse que você insistisse mais um pouco e falasse que tudo iria dar certo. Mas esse não é você. E quer saber de uma coisa? Meu estag já tinha me alertado. A gente é incrivelmente diferente e seria muitíssimo capaz que a gente nem realmente desse certo, assim como já não estamos dando agora. Só queria que você tivesse (e fosse) sido um pouco menos cuzão. Que tivesse jogado limpo sabe? Não teria problema nenhum se tivesse falado que não queria nada sério agora e que a gente só ia sair pra dar uns beijos uma vez no mês e depois foda-se. Mas não. Você quase cancelou a porra da sua viagem de feriado. Falou que ia pensar em mim e que sentiria saudades. Falou que ia me levar em um monte de lugares e me apresentar pra toda a família. Que poderíamos viajar juntos em 2020. Que o Batista torce pra que você seja da família dele. Que a gente combina muito. Que eu sou uma menina especial. Ah, vai tomar no seu cu né?

E o pior de tudo sou eu acreditando em tudo isso de novo, senhoooooor. Eu realmente acreditei que dessa vez poderia ser diferente. Que talvez com o tempo a gente se acertasse e que você começasse a gostar de mim. Mas não. Você só queria garantir que eu não conseguisse viver sem você facilmente. Foi apenas isso. Quando viu que eu não falava mais contigo, veio pro meu lado cheio de amor e carinho fingindo ser a pessoa mais íntegra e honesta dessa vida. E eu tentei. Juro que tentei. Guardei toda a raiva e todo o ódio no coração e construí a imagem de bom moço de novo. Pra que? Eu realmente não sei. Não sei porque você demorou tanto. Por que gastou tanto dinheiro e tanto tempo quando você poderia ter tido o que você queria, os nosso beijinhos, muito antes. Ou nem sei se queria também. Qual é o seu problema? Cai fora, simples assim, e tudo bem...

Eu só não quero que depois você venha chorando o leite derramado, porque aqui a tigela caiu, derramou o leite e se espatifou. Não tem mais conserto não....

Nem sei onde a gente se perdeu ou se escondeu do nosso bem...

A gente não vai dar certo. Eu poderia listar 500 motivos pelos quais a gente não vai dar certo, mas o principal é: a gente não tem nada a ver. Eu preciso de atenção e quero conversar a toda hora. Você, me ignora e responde quando você tem vontade. Que bom. E eu que achei que fosse dar em alguma coisa. Mas é sempre assim. A gente sempre cria expectativa fora do normal e sempre dá errado e a gente sempre promete que não vamos nunca mais criar expectativas porque esse mundo não tem ninguém que preste, mas no final a gente não absorveu nada do que a gente falou e as expectativas são criadas novamente. Talvez (com certeza) com menos intensidade, mas elas estão presentes.

E esse meu imediatismo louco que faz com que eu não consiga esperar por nada. Que exige que tudo seja pra ontem, que tudo seja intenso, que tudo seja do jeito que eu quero. Ai meu deus. Quando é que eu vou aprender a lidar com tudo isso? Simplesmente não consigo. 

Fico lembrando de quinta-feita e também não consigo entender nada. Como esse universo é bizarro. O mundo é muito pequeno. Existem muitas coincidências nessa vida. Serão só coincidências, ou tudo que acontece tem um motivo maior? Ainda não sei o que pensar sobre, mas vamos lá.

(Kleber, você está recebendo notícias privilegiadíssimas, aproveite).

Fui jantar na quinta-feira a noite com o Lestrange (e na terça-feira também, mas tudo bem). Estávamos felizes e contentes jantando gordices e falando de qualquer assunto random quando o embuste número 1 entra com a namorada no restaurante. Jesus. Mas tem tanto lugar pra jantar, não tem não? Precisa ser no mesmo? Enfim, eu fingi que não tinha visto e torci muito pra que o Letsrange também não visse. Você consegue imaginar a cena? Nunca pensei que fosse passar por isso na vida, mas aqui estamos nós. Tudo bem. Retomei a minha paz interior (e eu realmente retomei e esqueci que eles estavam ali atrás em algum lugar. Fiquei orgulhosa de mim mesma. Pelo menos esse embuste já está superado na vida né? UHU) e seguimos com o jantar. 

Foi tão legal. Nos damos bem. Temos muito assunto e rimos muito, muito, muito. É tão leve sabe? É tão sem compromisso. É tão especial. É tão único. 

Ele pagou minha conta (fofíssimo) e fomos buscar nossos carros que estavam muito próximos. Entrei no carro. Arrumei minhas coisas. Virei a chave no contato. Quando olho pro lado ele está na janela. Abri a janela do passageiro, mas ele deu a volta. Abri a janela do motorista. Ele colocou a cabecinha pra dentro e me pediu um beijo. Que? Foi ao mesmo tempo a cena mais fofa e mais bizarra do mundo. Eu? Recusei. Disse que não ia dar o beijo não. Fui muito chata? Não queria ser usada de novo. Era só isso. Eu juro. Ele ficou um pouco desconcertado, mas acabei indo embora.

Expliquei as minhas razões e disse ele que estava sozinho. Não acredito. Sabe aquele sexto sentido que te fala que não? Que tem alguma coisa errada? Que não é pra você ir que não vai dar certo? Mas ai, eu queria tanto. Queria tanto o beijo. Queria tanto o abraço. Queria tanto aquela pessoa que eu criei uma imagem tão bonita na cabeça. Mas, puta que pariu, parece que a vontade passou, e que agora não tem mais nada. Gente, como pode? Não é possível que as pessoas sejam tão descartáveis assim. 

E se não for tão descartável assim: como me relacionar com alguém que você nem conversa direito durante o dia? COMO? Eu não consigo. Eu já fico com o pé atrás e eu não consigo mais me envolver. Fico com receio. Fico com medo. Fico achando que eu vou ser enganada e vou sofrer de novo. Mas, não vou? Se a gente mal conversa agora, qual é chance de isso dar certo um dia na vida? 

E o pior de tudo: parece que tem dias em que as conversas fluem tão bem. Que a gente gosta de conversar. Que a conversa é importante. Que eu faço alguma diferença na vida. Hoje? Hoje eu sou apenas a analista de processos da Fábrica de Resinas. Sou apenas mais uma no meio das 159. Talvez nem isso eu seja. Talvez eu seja apenas uma menina chata, insuportavelmente chata e que quer fazer as coisas de forma certa... Acho que as pessoas corretas não existem mais.Não é possível.

Viver de esperança cansa, eu sei....

Não tem como gostarmos de alguém que a gente nem conhece, não é? Não tem como conhecer sem conversar, sem se abrir, sem ser sincero, sem compartilhar as pequenas e as grandes conquistas dos dias sem graça... Bom, pelo menos pra mim funciona assim. Aquelas pequenas conversas sem motivo algum, aquele assunto que não acaba nunca mais, aquela conversa que você tem vontade de continuar porque simplesmente não aguenta ficar calada e quer continuar falando durante todo o dia e a noite, se puder...

Mas, infelizmente, nem sempre é assim. Infelizmente, as vezes encontramos algumas pessoas diferentes pelo caminho. Eu nem acho que elas são frias. Eu só acho que elas não sentem na mesma proporção. Acho que para elas está tudo bem, e tudo bem. Enquanto que para mim, não está nada bem. Pra mim, está estranho, tem alguma coisa faltando, tem uma ausência que querendo ou não está sempre presente... É bem estranho, e muitas vezes eu não sei lidar bem com isso não. Me sinto meio louca. Parece que eu estou enlouquecendo e que ninguém vai conseguir me entender. Eu fico quieta e finjo que está tudo certo. Mas, senhor, não está. Tem algo incomodando! De novo!

Kleber, eu sei que você é o único (acho que isso é bom) que lê isso aqui ainda, então, primeiro: quero dizer que estou muito feliz em ver que a Valentina está crescendo alegre e feliz! <3 Em segundo lugar, não me ache louca. Por favor. Eu juro que eu gostaria de sentir menos. De ser menos encanada com as coisas. De aceitar as coisas de forma mais fácil. Mas é tão, tão, tão difícil. Você sabe que eu não gosto de perder. Não gosto de perder de jeito nenhum. E também não gosto de imaginar que não fui legal o suficiente pra alguém gostar de mim, porque, me perdoe, mas eu sou muito foda. Talvez você diga que é falta de amor próprio, mas não é, eu juro que não. Eu sei que tenho defeitos (assim como todas as pessoas desse mundo maluco), mas eu também sei que eu sou uma pessoa incrível. Eu só queria encontrar alguém que achasse isso também. Será que é muito difícil?

Fique feliz por mim: o mundo está caindo lá fora, mas pelo menos eu não sinto mais nada pelo embuste lá. Isso é ótimo. Me sinto muito mais feliz e leve. Tirei um tempo (grande, inclusive) pra aproveitar a minha companhia e aprender a ficar sozinha sem necessitar de alguém falando comigo toda hora e blábláblá. Acho que consegui. Nos encontramos no trabalho todos os dias e eu fico plena. Tranquila. Sem aquela coisa maluca que eu sentia antes. Nos encontramos sem querer na rua na sexta-feira e eu (FINALMENTE) disse que não sentia mais nada por ele. Ele ainda nutria algum tipo de esperança, pois saiu da conversa chorando, mas eu? depois de 5 minutos eu já nem lembrava mais do que havia acontecido... 

Mas, ainda falta algo. Aquele buraquinho ainda não está fechado, sabe? Queria achar alguém que tivesse a disposição de completá-lo. E que eu tivesse a paciência necessária pra esperar esse dia chegar sem me precipitar, sem ficar ansiosa, sem tropeçar e fazer tudo errado. Eu quero plenitude pra esbarrar em alguém legal de novo. Quero alegria pra poder contagiar quem estiver ao meu lado. Quero marcar presença. Quero que se lembrem de mim quando eu não estiver mais perto. É um monte de querer que não acaba né? 

A verdade é que eu pensei que tivesse achado. Mas, acho que a vontade de achar alguém é tão grande que faz a gente enxergar coisa onde não tem. Faz a gente aceitar migalha, faz a gente se sentir importante com cada coisa pequena... E é tão triste saber disso. Saber que tinha tudo pra dar certo e que simplesmente não deu. Que simplesmente não vai dar. Que, não importa o que você faça, algumas coisas simplesmente não vão mudar. 

O Belatrix continua lá. Ele é legal. Sensato, parece. Pelo menos, nunca fez nada que fizesse a gente se arrepender de alguma coisa, ao contrário do outro embuste lá. Saímos para jantar algumas vezes e foi bem legal. Criei expectativa (eu sei que você já sabe disso, mas mesmo assim...). Criei muita expectativa. Nada aconteceu. Me afastei. Fiquei triste. Me senti meio mal. Passou. Quando já estava quase esquecendo e superando, me senti usada. Ouvi boatos (acho que são verdades, mas tudo bem) que eu não gostei nem um pouco e ai foi a gota d'água. Não dava mais pra ser feita de idiota naquele nível.

Você também deve saber que eu não sou muito de falar né? Que eu prefiro ficar quietinha no meu canto, esperar passar e depois seguir a vida sem problemas. Mas, dessa vez eu prometi a mim mesma que eu ia falar. Que eu não ia me calar. Que eu não ia engolir como se aquilo não tivesse me ferido e não tivesse interferido na minha maneira de enxergá-lo. E lá fui eu. Falei. Talvez tenha soado meio grosso, mas pelo menos fui sincera. Pelo menos desafogou. Desentalou a garganta. Deu pra respirar novamente. E ele ficou chocado e com medo da nova mariana que surgiu, porque são pouquíssimas pessoas que tem a experiência de me encontrar brava nessa vida. E o pior: conversar comigo enquanto eu estou brava na vida. 

Passou mais de uma semana com a gente sem conversar. Não conseguia simplesmente olhar pra ele que já me vinha todo o ódio, toda a raiva e o meu eu interior ficava sempre me falando: "eu te avisei, não avisei? Ele namora. Você já passou por isso, mas nem assim você aprendeu". E meu eu interior tem toda a razão do mundo. Eu não aprendi mesmo. Mas tudo bem. Depois de uma semana, quando eu já estava acostumando com a situação estranha, ele vem conversar comigo como uma pessoa civilizada. Explica o que aconteceu. Pede desculpas. Diz que ficou chateado. Diz que bateu o carro. Diz que gosta de mim. Diz que não consegue se concentrar quando eu estou por perto. Ainda não sei se acreditei não. Pareceu sincero, mas pareceu algo pra fazer eu voltar a falar com ele... Pelo menos a parte do carro batido foi verdade pelo que eu pude verificar. Mesmo assim, continuamos sem conversar por mais uns 5 dias. 

Os ânimos já estavam bem mais calmos quando ele voltou a me mandar mensagem, por que naquela altura do campeonato eu já havia excluído todas as formas de comunicação com ele pra não correr o risco de ser trouxa de novo. Voltamos a conversar muito, muito, muito lentamente. Mas, na sexta-feira da semana retrasada nós tivemos uma conversa um pouco séria. Ele queria saber de quem eu estava gostando, dizendo que gostava de mim, que não aguentava mais e que queria ficar comigo e que pra isso iria terminar com a namorada dele. QUE? Não sei se acredito nisso ainda também, mas...
Fiquei com isso na cabeça durante todo o final de semana e na segunda-feira ele sugeriu que nós conversássemos, mas a real conversa só aconteceu na terça a noite. Foi bom, apesar de eu não saber se acredito também ou não. 

A conversa foi basicamente uma explicação de como estava o relacionamento de 10 anos dele, dele me falando que gostava de mim, que queria ficar comigo, que já tinha pensado em conversar com nossos chefes pra explicar a nossa ligação e que era bem provável que a gente assumisse um relacionamento num futuro próximo e eu fiquei parada sem nem saber muito bem o que falar. O que responder quando tudo parece verdade? Ou quando a pessoa mente muito bem? Não sei se me senti mais aliviada ou não, mas tudo bem. Acho que atrapalhou mais do que ajudou, sabe? As expectativas aumentaram de novo e elas já estavam tão baixas e tão em paz. Não queria criar de novo, mas a verdade é que eu já criei. Mas, pelo menos ele foi sensato, nós conversamos que nem adultos civilizados e deixamos muito claro que não faremos nada enquanto ele não estiver livre. Eu, infelizmente, não perguntei quando isso iria ocorrer e hoje me arrependo um pouco. Queria saber quando. Queria parar de esperar por isso...

Por outro lado, não sei se estou pronta pra assumir um relacionamento também. É tão bom ser livre, sair sem dar satisfação pra ninguém, fazer o que você bem quiser, no horário que quiser, com quem quiser... Não sei se tenho paciência pra esses joguinhos de amor, de ciúmes, de ter que dividir a vida com alguém, de assumir responsabilidades e de criar uma vida juntos...faz algum sentido tudo isso que escrevi? Acho que eu só falo isso porque não tenho certeza do que estou sentindo. Acho que quando a gente ama de verdade a gente não pensa em nada disso né? A gente simplesmente vai, sem pensar nas consequências...

We don't even have to try, it's always a good time...

De novo as incríveis expectativas. De novo. Pensei que eu tinha aprendido, mas a verdade é que a gente só deixa guardadinho dentro do baú pra quando precisar usar novamente. E aqui estamos nós. Construindo as expectativas novamente. Repassando as conversas mentalmente. Relembrando os jantares divertidos, engraçados e amistosos. E tudo isso para: nada! Que legal!

Mentira, não foi tão pra nada assim. Consegui dar um fim para aquela coisa chata que vinha me atormentando desde muito tempo... mas a verdade é que a gente só supera um amor com um novo amor, não é mesmo? E eu queria tanto, mas tanto que desse certo que eu nem sei explicar o quanto. Somos incrivelmente parecidos em milhares de coisas, mas também somos muito diferentes em algumas outras coisas e juntar tudo isso seria a coisa mais legal e divertida do mundo!

Não sei muito bem qual é a situação real da história, e acho que prefiro nem saber. Dói menos. Cria-se menos expectativa. Me avisaram pra ter paciência, que você quer dar o próximo passo, mas parece que não é real. Parece que alguma coisa mudou. E eu não estou sabendo o que é. Acho que é só falta de interesse mesmo. Bom, estarei por aqui esperando caso você mude de ideia e queira assumir algo maior.

A verdade é que a minha admiração por você não vai mudar por causa disso. Nunca. Você foi (e é) muito sensato. Pensou muito no que fazer e no que as suas ações iriam causar. Que maravilha. Alguém sensato nesse mundo, depois de todo o turbilhão de coisas ruins que passei. Acho que é por isso que comecei a gostar um pouquinho mais de você. Você é uma pessoa incrível. E, apesar de qualquer coisa, quero estar presente na sua vida. Seja como amiga ou como qualquer outra coisa. Temos uma conexão extraordinariamente forte. Fazia tempo que não encontrava alguém assim. E você mesmo me disse que eu te faço bem também e que você me ama. Eu sei que ama. Do mesmo jeito que eu te amo e que tenho um carinho enorme por você.

Obrigada por não ter dado nenhum passo de que se arrependa depois, mesmo que eu e você estivéssemos querendo muito. Só essa conexão e essa amizade que a gente criou já é maravilhosa. Prometo que não vou surtar e não vou te tratar diferente por as coisas não saírem do jeito que a gente queria. 

Ontem fui num casamento de uma amiga do colégio. Eu, como uma boa canceriana que sou, fiquei te imaginando no altar com seu terno e sua barba por fazer enquanto eu entrava com aquele vestido branco lindo pela igreja repleta de flores coloridas. Amor. É disso que sinto tanta falta. Amor real. Respeito. Companheirismo. Tudo o que parece que você tem pra oferecer, pena que talvez seja apenas para outra pessoa.

Por que as coisas tem que ser tão difíceis? Tem um montão de gente no mundo, mas parece que a gente quer aquelas que não estão disponíveis. Que inferno. Como assim? Tanta gente legal e solteira, mas não. Elas não me completam. Pra mim, tem que ter aquela pequena arte da conquista. De ficar sem saber se a pessoa quer ou não. De criar expectativas. De ganhar bombons com bilhetinhos durante o dia. De trocar olhares durante o almoço que talvez só a gente entenda. De lembrar de você elogiando os cachinhos do meu cabelo e me chamando de bellatix lestrange, De ficar feliz em saber que você sonhou comigo e que queria que eu estivesse ai pra dormir contigo.

O que eu posso e quero dizer é: eu quero que dê certo. Vou torcer e muito pra que você se decida e que tome a decisão mais sábia e correta, apesar de saber que ficar comigo é quase inviável depois do seu relacionamento de 10 anos....

Mesmo assim, obrigada por me mostrar que ainda existem homens (HOMENS!) bons nesse mundo e não somente um bando de meninos e crianças babacas. Obrigada por ter essa sensibilidade tão grande. Obrigada por me conhecer tão bem. Obrigada por ter me tirado daquele círculo vicioso louco. Obrigada por me mostrar que ainda sou essa pessoa incrível que batalhei pra ser. Obrigada por me respeitar e por não estragar tudo. Você é foda e eu te amo! <3


Eu te busquei, mas não vi teu rosto não...

Ai, amor
Será que tu divide a dor
Do teu peito cansado
Com alguém que não vai te sarar?

Os dias tem sido incríveis, sabia? É uma sensação tão boa crescer, aprender e viver coisas novas. Riscar os itens cumpridos da listinha de metas de 2018. Alguns nem estavam na lista, mas aproveitaram e foram cumpridos também! 

Tenho feito muitas coisas diferentes. Tenho vivido muitas novas sensações e experiências. Tenho me orgulhado de mim mesma. Principalmente por ser forte e aguentar toda a barra sozinha. Principalmente por não te incluir mais na minha vida. Principalmente por não chorar mais. Por saber ser inteira, apesar da saudade de ter alguém que bate as vezes (muitas vezes). 

Ao meu redor tem um milhão de pessoas boas, de ótimo coração, que me fazem feliz, que me oferecem seus melhores carinhos e seus melhores momentos. Que contam comigo e que deixam muito claro que eu posso contar com elas também. Isso me traz uma paz tão grande. Uma sensação tão grande de não estar sozinha nesse mundo gigante e louco e frio e insensato na maioria das vezes.

Muitas vezes eu sinto falta de compartilhar tudo isso com alguém um pouco mais íntimo. Com alguém que me entendesse. Com alguém que se importasse e se orgulhasse de mim. Sei que em algum tempo da vida eu vou achar isso. Essa pessoa que se encaixe em mim. Que tenha orgulho dos meus esforços e que me faça me esforçar ainda mais, buscando sempre a felicidade e que não me deixe fraquejar quando eu só quiser mesmo dormir e ficar quietinha no meu mundo...

Queria alguém me completasse. Que me fizesse inteira. Que me fizesse sorrir. Que fosse meu último pensamento ao dormir e meu primeiro pensamento ao acordar. Que fosse presente. Que fosse incrível. Que fosse verdadeiro. Que fosse fluido. Que fosse real. Que me satisfizesse. 

A verdade é que eu acho que já me machuquei tanto que eu tenho medo de começar todo o processo de novo. De me aproximar de alguém de novo com o coração aberto a novas possibilidades de amor. Medo. Medo de me machucar de novo. De gostar de novo. De amar de novo. De incluir outra pessoa na minha vida. De dividir minha vida com alguém. 

Medo de não achar alguém me complete. Medo de ficar com alguém só pra não ficar sozinha. Medo de gostar sozinha. Medo de ser sempre uma pessoa sozinha no mundo...

"Você é tão legal, não seja esse tipo de pessoa..."

Impressionante como existem pessoas que nos marcam profundamente, não é mesmo? E o mais impressionante é que elas fazem isso totalmente sem querer, sem perceber. Elas simplesmente fazem. Esse foi mais um dos casos que eu já presenciei na vida. Infelizmente acredito que perdi a chance de continuar minha caminhada ao lado dessa pessoa incrível, mas ela fez eu abrir meus olhos de uma forma que fazia tempo que não acontecia...

Foi na noite de sábado, quando estávamos conversando e expressando nossas opiniões sobre um tema mega pesado e traumático pra um milhão de pessoas. Se fosse algum tempo atrás, a minha percepção sobre o assunto seria igual à dele, mas infelizmente algumas coisas aconteceram e me mudaram. Disse que eu não seria capaz de fazer isso, mas fui lá e fiz. Aconteceu. Não vou jogar a culpa em outra pessoa que não em mim. Tenho maturidade e vergonha na cara suficientes para assumir os meus erros. Tudo bem, foi mais de uma vez e eu estava consciente do que estava fazendo. Sim. Mas, de novo. Fui eu, e não tiro minha culpa disso. 

Mas o que eu queria realmente deixar expresso aqui não era nada disso. Na verdade, queria só registrar o quanto essa frase me marcou:

"Você é tão legal, não seja esse tipo de pessoa..."

Você provavelmente jamais terá ideia do quanto eu chorei no domingo ao lembrar dessa frase. Ela foi tão sincera, tão crua e tão cruel, que doeu. Mas doeu de um jeito bom. Doeu de um jeito que me fez enxergar a loucura que eu tinha realmente feito. 

Acabamos nos distanciando no domingo de madrugada, depois da fatídica conversa, pois não acho que você me enxergava da mesma forma que antes e acho que jamais me enxergará, ou se é que você sequer lembrou que eu existo durante a semana.... Mas sua frase me fez pensar tanto. tanto. tanto. Em mim. Nos outros. No que eu quero ser. No que eu quero pra mim. No que eu tenho feito pra conseguir o que eu quero. Ao que eu tenho me submetido e o que eu tenho ganhado em troca. Cheguei a (BRILHANTE) conclusão de que essa pessoa não sou eu. E o que me deixou mais chocada em toda a história foi que você soube disso antes de mim mesma. Como pode a gente perder essas pessoas assim? Puf. Perdemos? 

Confesso que não estou sabendo lidar muito bem com isso. Sinto falta das conversas toscas e de falar idiotices que não eram julgadas mal. Sinto falta de alguém me julgando porque eu tinha um gosto meio ruim para comidas e não gostava de comida japonesa. Sinto falta de alguém que tentava me ajudar até quando não tinha o mínimo interesse no assunto, como foi no caso da fazendinha, que ouvia meus áudios com tpm e que me mandava mensagens de cachorros fofinhos pra tentar me fazer sentir melhor.  Que saudade bizarra, não sabia que ia sentir tanto assim não, mas sei que você está bem onde quer que esteja.

E eu espero que você saiba que você é uma pessoa foda. Incrível mesmo. E que você finalmente abriu meus olhos. Serei eternamente grata a você, por mais que você jamais venha a saber disso. Que sua vida seja sempre luz! Que você ilumine tudo por onde passar. E que você encontre alguém MUITO legal pra dividir as alegrias da vida. Eu sempre torcerei por você e guardarei o carinho aqui 💓⭐⭐⭐⭐